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Reprodução assistida: conheça os métodos e técnicas disponíveis, e o processo da fertilização no laboratório

Dr. Ciro Dresch Martinhago

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A Reprodução Assistida é o conjunto de técnicas médicas, como a inseminação artificial e a fertilização in vitro, que possibilitam a reprodução humana de maneira assistida. Contribui com casos de infertilidade, idade avançada, casais homoafetivos, gestação independente e planejamento familiar para diminuição do risco de doenças genéticas.

O que é reprodução assistida?

A infertilidade tem se tornando cada vez mais comum, estando associada a fatores de saúde (como as alterações hormonais) e fatores sociais (como a gestação tardia). Além disso, casais homoafetivos, indivíduos interessados em reprodução independente e famílias com doenças pré-existentes contribuem com a crescente demanda por procedimentos de Reprodução Assistida em busca do planejamento familiar.

A Reprodução Assistida inclui todo processo reprodutivo ajudado pela medicina e que envolva a manipulação “in vitro” de óvulo, espermatozoides e embriões, com o propósito de estabelecer uma gravidez.

Pode ser feita a partir de fertilização ’ in vitro” ou inseminação artificial, aumentando as chances de gravidez de casais inférteis e totalizando mais de 5 milhões de nascimentos em todo o mundo.

Quando é necessário optar pela reprodução assistida?

Os tratamentos de reprodução humana são indicados tanto para casais com dificuldades de conseguir a gravidez (por causas de infertilidade feminina, masculina ou de ambas), assim como para mulheres ou homens sem parceiro sexual, uniões homoafetivas que desejam ter filhos e famílias com doenças preexistentes, além de criopreservação de gametas (congelamento de óvulos).

Técnicas de reprodução assistida

Os procedimentos de Reprodução Assistida podem ser divididos em baixa complexidade ou alta complexidade. Baixa complexidade é quando a fecundação ocorre no aparelho reprodutivo feminino, como nas técnicas de Inseminação Intrauterina. Alta complexidade é quando a fecundação ocorre no laboratório e os embriões resultantes são colocados no útero materno, como nas técnicas de fertilização “in vitro”.

Fertilização In Vitro (FIV)

Técnica mais complexa da Reprodução Assistida que promove a união do óvulo ao espermatozoide em ambiente laboratorial. Os embriões formados são cultivados e selecionados para, em seguida, serem transferidos ao útero da mulher.

A Fertilização “In Vitro” ocorre a partir das seguintes etapas, podendo ser via FIV convencional ou ICSI.

Procedimento de reprodução in vitro Reprodução assistida por fertilização em laboratório

FIV convencional

Os espermatozoides são colocados em contato com os óvulos sem manipulação do embriologista por 24 horas para que a fertilização ocorra de forma “natural”. Após 24 horas, o embriologista faz uma limpeza nos óvulos e verifica se houve a fertilização ou não. Os embriões formados são cultivados até o quinto ou sexto dia de desenvolvimento para, então, serem congelados ou transferidos ao útero da mulher. 

Antes da transferência, é possível realizar uma biópsia, onde algumas células do embrião são retiradas para estudo de viabilidade genética.

ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoides)

A ICSI é uma modificação da fertilização “in vitro” (FIV) que envolve a injeção de um único espermatozoide vivo no citoplasma do oócito (dentro do óvulo).

Inseminação artificial ou inseminação intrauterina

Técnica simples de Reprodução Assistida que processa os espermatozoides (sêmen) em laboratório previamente à introdução no trato genital feminino. 

procedimento de Inseminação artificial ou inseminação intrauterina, reprodução assistida em laboratório

Coito programado

Técnica simples da Reprodução Assistida que acompanha o ciclo menstrual da mulher a fim de se definir o melhor momento para ocorrência da relação sexual visando gestação. 

Primeira inseminação artificial humana: o que esperar?

O sucesso da inseminação artificial está associado a diferentes fatores, como idade materna, qualidade do sêmen, qualidade ovariana, entre outros. A taxa de sucesso é de aproximadamente 20%, ou seja, a cada 100 procedimentos realizados, 20 resultam em gravidez. Entretanto, esses valores se referem apenas ao procedimento de inseminação artificial. Para fertilização “in Vitro”, essa taxa pode chegar a 45%.

Qual a diferença entre reprodução assistida e fertilização in vitro?

A fertilização in vitro é uma das técnicas de reprodução assistida. Uma outra técnica é a inseminação artificial.

Quando devo procurar uma clínica de fertilização?

A clínica de reprodução assistida é indicada em diferentes casos:

  • Após 12 meses sem uso de contraceptivo e sem sucesso de gestação espontânea
  • As tubas são obstruídas ou pouco competentes
  • Casos de endometriose profunda
  • Baixa reserva ovariana
  • Idade mais avançada da mulher
  • Distúrbios de ovulação, como Síndrome dos Ovários Policísticos
  • Homens com alteração no sêmen como baixa concentração ou motilidade
  • Alteração genética que possa ser passada para o bebê
  • Mulheres que querem engravidar por produção independente
  • Casais homoafetivos femininos

Como funciona a consulta de reprodução humana?

Cada caso é individualizado e nenhum tratamento é igual ao outro. Por isso, o médico especialista em Reprodução Humana pede uma série de exames ao casal, referente ao aparelho reprodutor de ambos, exames de sangue, entre outros. Com base nisso, o médico avalia os objetivos e necessidades daquele caso, conduzindo a família pela estratégia mais adequada.

Como é feita a seleção dos embriões que serão implantados?

No processo de Fertilização in Vitro, os embriões são formados no laboratório. Dessa forma, é necessário escolher qual embrião será transferido ao útero materno. Os embriões podem ser selecionados pelo seu desenvolvimento e morfologia. Além disso, existe a possibilidade de realizar a biópsia embrionária com o objetivo de estudar a constituição cromossômica ou a presença de variantes responsáveis por doenças genéticas presentes no casal ou em um do parceiros reprodutivos.

Qual a taxa de sucesso da reprodução assistida?

A taxa de sucesso varia conforme a técnica realizada, e depende de fatores como idade materna, qualidade ovariana, qualidade do sêmen e outros:

  • Gravidez natural (nenhum procedimento): entre 15 e 17%
  • Inseminação artificial: 20%
  • Fertilização in Vitro: média de 45% (a depender da idade e seleção embrionária)

Estudos mostram que quando realizada biópsia em embriões de mulheres com mais de 38 anos, a taxa de sucesso pode passar de 11% para 40%, e a redução nas taxas de aborto de 22% para 4%.

Como reduzir as chances de um aborto espontâneo após a inseminação?

No caso da inseminação artificial, os médicos podem utilizar algumas medicações para tentar diminuir as chances de abortamento.

Para a Fertilização “in Vitro”, há possibilidade da realização de biópsia do trofectoderma dos embriões no quinto ou sexto dia de desenvolvimento antes da transferência do embrião para exame genético.

Dentre os principais exames de rastreamento estão:

PGT-A

O PGT-A (Teste Genético Pré-implantacional para Aneuploidias) é um teste de triagem que analisa perdas e ganhos de cópias de cromossomos (aneuploidias) em células do trofectoderma biopsiados do embrião gerado no tratamento FIV. É indicado para casos de idade materna avançada (>38 ou superior), fator masculino (alteração nos espermatozoides) entre outros. A indicação pode variar conforme cada caso. Pode ser indicado para paciente com menos de 38 anos com abortamento de repetição, filho anterior com cromossomopatia, entre outros.

PGT-SR

O PGT-SR (Teste Genético Pré-implantacional para rearranjos estruturais) é um teste de triagem que analisa perda e ganhos de cópias de cromossomos (aneuploidias) em células do trofectoderma biopsiados do embrião gerado no tratamento do FIV. É indicado para casos onde um dos genitores possui um rearranjo equilibrado (translocação recíproca ou inversão).

Quando procurar por um especialista em reprodução humana?

O casal pode procurar um especialista após 12 meses sem uso de contraceptivo e sem sucesso de gestação espontânea.

São indicados também situações com doença anterior na família e, idade materna e paterna avançada.

Por: Dra. Camila Madaschi Reis – embriologista
Revisão por: Dr. Ciro Martinhago